Presidente do Atibaia avalia mudanças nos direitos de transmissão: 'Excelente'

Alexandre Barbosa vê como positiva a liberdade para negociar livremente os direitos

por Agência Futebol Interior

Atibaia, SP, 03 (AFI) - A discussão do futebol brasileiro neste momento é sobre os direitos de transmissão das partidas. O presidente do Atibaia, Alexandre Barbosa, também tornou público seu entendimento e visão sobre o assunto. Integrante do Campeonato Paulista Série A2, ele vê como positiva a liberdade para negociar livremente e também comentou sobre a preocupação que surge com os times menores.

Nesta semana, Flamengo e Globo travaram uma 'guerra' e o clube transmitiu seu jogo no YouTube. Como resposta, a emissora rescindiu o contrato com todos do Campeonato Carioca e não irá mais transmitir os jogos deste estadual. Tudo tem relação com a Medida Provisória 984, assinada por Jair Bolsonaro, que coloca o clube mandante como único dono dos direitos de transmissão.

"EXCELENTE NOTÍCIA"

"Tem esse questionamento de como os clubes pequenos vão sobreviver sem a Globo. O monopólio da Globo acomodou os clubes pequenos. Ninguém foi atrás. Esses times que são centenários e que tem torcida enorme possuem capacidade de vender os jogos para outras emissoras. Tem várias emissoras, mas o ser humano se acomoda com o que tem.

Se não tiver cota eu vou viver muito bem, me adapto ao que tenho. Excelente notícia. Se a Globo pudesse não pagar ano que vem e acabar o contrato seria excelente. Já não quer pagar a gente mesmo. Fiz a rescisão dos jogadores sem a última cota da Globo. Nem conto com esse dinheiro. Não vou contar com esses infelizes que só querem o nosso mal", frisou.

Alexandre Barbosa, presidente do Atibaia. (Foto: Fabio Giannelli / Soccer Digital)
Alexandre Barbosa, presidente do Atibaia. (Foto: Fabio Giannelli / Soccer Digital)

RELAÇÃO ENTRE JOGADOR E CLUBE

Alexandre entende que é preciso rever os negócios, inclusive na relação entre jogador e clube, para ninguém 'ser escravo de ninguém'.

"Precisamos rever nossos negócios. Não pode ter monopólio, não essa questão da Globo. Jogador não pode ficar monopolizado no Atibaia, por exemplo. Se ele não quiser ficar mais aqui eu rescindo de graça, deixo ir embora. Já fiz isso com vários jogadores. Ninguém é dono de ninguém.

A Lei Pelé precisa mudar. Não posso ser dono do jogador e o jogador não pode ficar no clube sem produzir. Criar uma forma de ninguém ser escravo de ninguém, um meio termo. Se a Globo não quiser transmitir mais, não transmite, vive de novela. Ela fica com 99% do dinheiro e 1% vem de esmola pra gente", criticou.

PENSANDO GRANDE

Segundo Alexandre, o Atibaia conseguirá vender os seus jogos. Mirando o acesso à elite do futebol paulista, ele lembrou que terá jogos com apelo de audiência e salientou que é preciso saber gerir o negócio para ter bons resultados.

"Vamos pensar grande: vou chegar na Série A1 do Paulista em breve. Vou ter jogos contra os grandes e outros times que possuem muita torcida, como Guarani e Ponte Preta. Você acha que eu não consigo vender meus jogos como mandante?

O problema é que a maioria dos presidentes não são empresários e não sabem gerir o negócio. Eu quero ser livre para escolher o que eu quero para o meu clube. Quando eu subo para Série A2, eu sou obrigado a assinar contrato com a Globo, se não eu não jogo. Não posso ir atrás de outra alternativa", analisou.